Publicado por: blogbeliving | 22/05/2012

Ciências na Escola

  A formação continuada da equipe de professores e   coordenadores da escola sempre foi uma prioridade na be.Living. Pensando nisso, há alguns anos, participamos do ZDP (Zona de Desenvolvimento Profissional) da Escola da Vila aqui de São Paulo. Um programa que proporciona um espaço de troca entre instituições escolares que partilham ideais educacionais e princípios pedagógicos, visando a construção de competências profissionais fundamentais para o sucesso da escola.

Este ano o tema é a área de Ciências Naturais. Com base nos estudos de Ana Espinoza[i] o pessoal da escola da Vila nos convida a pensar sobre novas perspectivas para a formação dos alunos nesta área do conhecimento.

Segundo Ana Espinoza “a ciência é uma produção social e cultural que, em vez de descrever o mundo, interpreta de modo particular a concepção dos fatos e dos fenômenos”[ii]. Durante nossos encontros analisamos e discutimos a elaboração das aulas, a escolha dos temas a serem trabalhados, a melhor condução das experiências e a leitura e a escrita de textos de ciências.

Nesses dias de discussão conseguimos refletir sobre a didática da ciências naturais, um sistema complexo que envolve professor, aluno e conhecimento e visa compreender como se produz a aprendizagem e como os indivíduos aprendem.

Durante esses encontros muita coisa acontece. Seria difícil compartilhar tudo por aqui com vocês. Gostaria muito que todos tivessem a oportunidade de ouvir, pelo menos um pouquinho, a maneira como a Ana Espinoza pensa a área de ciências. Fiz uma pesquisa e encontrei no site da Revista Nova escola (www. revistaescola.abril.com.br)  uma entrevista, bem curtinha, com a Ana. Vale a pena conferir!

“A ciência elabora conhecimento para explicar o mundo”

Ana Espinoza, professora na área de Ciências da Educação da Universidade de Buenos Aires (UBA), na Argentina.

Existem dois tipos de conhecimento legítimos, o cotidiano e o científico. Qual a utilidade de cada um deles?
ANA ESPINOZA:
Eles têm funções distintas. As informações que circulam na sociedade são úteis para o dia a dia. Ter informações sobre os sintomas de uma doença nos permite adotar um comportamento responsável. Mas isso não significa compreender os princípios que explicam o aparecimento do mal nem os procedimentos para a cura. Para isso, são necessários saberes sobre o metabolismo celular e os processos de ordem química ou bioquímica, quer dizer, informações científicas.

É possível afirmar que o conhecimento científico explica e descreve o mundo?
ANA:
Tanto no universo científico como na vida cotidiana, utilizamos o termo “explicar”, mas com significados distintos. Se nos pedem para explicar como se prepara uma comida, entendemos a solicitação e descrevemos o processo. No entanto, explicar um fenômeno cientificamente consiste em recorrer a modelos e teorias para usá-los como ferramentas interpretativas, e não descrever um passo a passo, nem estabelecer relações de causa e efeito. Quanto à ação de descrever, a ciência elabora conhecimento para explicar o mundo e não para produzir descrições precisas dele. Ainda que em uma experiência sejam feitas descrições das observações sobre um fenômeno em particular, elas são condicionadas pelo conhecimento que se tem até o momento e pelos pesquisadores envolvidos.

Por que é importante explorar os fatos do ponto de vista científico na escola?
ANA:
Porque isso permite oferecer explicações sobre o funcionamento do mundo de um ponto de vista além do baseado no senso comum. Considerar que é possível encontrar explicações diferentes daquelas que intuitivamente construímos em interação com o mundo permite desdobrar a mente e desenvolver um pensamento de natureza mais abstrata.

Qual o benefício de explorar o percurso de um cientista para ensinar como se faz ciência?
ANA:
Ao explorar a vida e a obra de um grande pesquisador, respeitando o contexto da época, é possível mostrar que o conhecimento é uma produção social, e não o produto de uma mente insuperável. O trabalho deve ser feito deixando claros os problemas, as contradições, as aventuras e as desventuras que surgem naturalmente durante o processo. Mas essa não é e nem pode ser a única maneira de fazer as crianças se apropriarem do conhecimento científico. Propostas de ensino que possibilitem experimentar, discutir, elaborar e reelaborar hipóteses a respeito de problemas são essenciais.

Até a próxima!

Gabriela M. Fernandes

[1] Ana Espinoza é licenciada em Química pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e professora de Didática do Nível Primário no curso de Ciências da Educação da UBA e na Divisão de Educação da Universidade Nacional de Luján (UNLu), Argentina.

[1] Trecho retirado da contra capa do livro Ciências na Escola – Novas perspectivas para a formação dos alunos, de Ana Espinoza, Ed. Ática.

 

 

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